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"Nem tão longe que não possa ver/ Nem tão perto que possa tocar/ Nem tão longe que não possa crer/ que um dia eu chego lá". Esse é um fragmento da canção “A Montanha” da banda Engenheiros do Havaí. Letra conotativa que me inspirava (e inspira!) todas as vezes que visualizava em imagem ou pensamento o Pico dos Marins. Com aproximadamente 2.420 metros de altitude, o Pico dos Marins - um dos pontos mais altos de São Paulo - é um maciço colossal que se ergue na Serra da Mantiqueira na linha limítrofe dos Estados paulista e mineiro na região do Vale do Rio Paraíba do Sul.
Ainda pouco conhecido pelos paulistas, o Pico é uma excelente opção para quem quer caminhar literalmente acima das nuvens e sem precisar ir tão longe da capital.
Para se aventurar nesta empreitada, chamei o Jaime, amigo morador do Vale, que sem titubear topou a aventura convidando outros amigos também da região. Ele já havia feito a travessia duas ou três vezes e isso deu mais segurança à minha iniciativa. A expedição ficou marcada para meados de março de 2007, data comum a todos nós que pretendíamos conquistar aquela fascinante montanha do “Himalaia Brasileiro”, alcunha dada à Mantiqueira.
O dia da aventura se aproximava e para o nosso azar as águas de março deram as caras. Entretanto não fomos suficientemente racionais (e talvez nem corajosos) para adiar a aventura uma vez que tudo estava pronto e nossos ânimos exaltados, bem como a minha curiosidade aguçada.
Segunda quinzena de março: Com tempo fechado subimos em meio a uma névoa que não deu trégua durante os dois dias de expedição, tínhamos uma visibilidade limite de 10 metros de distância e gotas d’água prontas a despencarem dos céus. Para o nosso desespero, os fortes ventos também se faziam presente. Nos preparamos para pernoitar no cume. Nossas barracas estremeceram lá do alto. O vento não parava. Não foram raras as vezes que pensamos: “agora tudo vai pr’os ares”. Enfim ascendemos ao Pico. Lá acampamos. Pernoitamos. O vento não nos levou. Quase morri de medo. Não consegui dormir e descemos no dia seguinte sem sequer ter uma foto visualmente aceitável. Tampouco enxerguei aonde havia ido. Embora as condições estivessem altamente desfavoráveis àquela modalidade de aventura, o montanhismo, nenhum acidente ocorreu, exceto o destacamento da unha de um dedão do meu pé e de um outro companheiro. Apesar do pânico epidêmico que ameaçou o grupo, ficava uma certeza: eu tinha que voltar.
Na segunda vez...
Marcamos a expedição para o mês de junho, inverno, período ideal para a travessia. De abril a setembro a escassez de chuva é nossa aliada. Apesar do intenso frio que atinge com facilidade a casa do 0ºC nas altas altitudes, o tempo seco faz com que a visibilidade seja belissimamente compensadora. Há também a questão da segurança, pois sem neblina o risco de pegar uma trilha errada e acabar num desfiladeiro é infinitamente menor.
criado por marcelobotosso
16:35:17