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	<title>Marcelo Botosso</title>
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	<description>Blog pessoal de Marcelo Botosso. A proposta deste blog &#233; divulgar e discutir assuntos relacionados aos temas que s&#227;o de interesse pessoal e profissional do autor, tais como Hist&#243;ria, pol&#237;tica, ci&#234;ncia, meio ambiente, m&#250;sica, esportes de aventura, etc</description>
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		<title>Hist&#243;rias de vidas (de homem, &#225;rvores e lugares)</title>
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		<dc:date>12.09.08</dc:date>
		<dc:creator>marcelobotosso</dc:creator>
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		<description>Hist&#243;rias de vidas 
Marcelo Botosso* 
Vidas que cruzaram d&#233;cadas est&#227;o sendo ceifadas em quest&#227;o de minutos. As imponentes figueiras da Avenida F&#225;bio Barreto, bem como outras &#225;rvores pr&#243;ximas, est&#227;o sendo derrubadas para darem passagem &#224;s &#225;guas das chuvas. &#201; o que alega a Prefeitura Municipal de Ribeir&#227;o Preto. Diante da excessiva impermeabiliza&#231;&#227;o do solo, a &#225;gua da chuva de uma ampla regi&#227;o corre para um &#250;nico ponto: a calha do urbanizado Ribeir&#227;o Preto que n&#227;o ag&#252;enta e transborda. &#201; preciso chegar ao caos para se pensar na vida? Vidas de &#225;rvores e Homens que habitam essa cidade. Registro aqui minha p&#225;lida, por&#233;m ainda viva, esperan&#231;a de que o problema das enchentes seja solucionado, que as &#225;rvores mortas sejam compensadas e que o ribeir&#227;o-pretano, a partir de agora, planeje melhor sua cidade. Hist&#243;rias &#8211; de Homens e de &#225;rvores - n&#227;o se constroem de uma hora para outra. 
* &#233; historiador. Publicado no Jornal A Cidade 11/09/2008 </description>
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	<item rdf:about="http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/imaturidade_construida">
		<title>Imaturidade constru&#237;da</title>
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		<dc:date>22.03.08</dc:date>
		<dc:creator>marcelobotosso</dc:creator>
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		<description>Imaturidade constru&#237;da &#201; sabido que certas dificuldades nos levam inevitavelmente ao amadurecimento. Entre os erros e os acertos de nossa vida buscamos o que melhor nos conv&#233;m e isso faz parte do processo amadurecer. Na vida escolar isso n&#227;o &#233; diferente. Estudamos com mais afinco &#224;s mat&#233;rias cujas dificuldades se acentuam. No estudo tamb&#233;m amadurecemos diante das dificuldades. Mas quais s&#227;o as dificuldades na escola da Progress&#227;o Continuada, aquela que na sabedoria popular denomina-se &#8220;passa sem estudar&#8221;? O aluno ingressa no primeiro ano do ensino fundamental ainda com os resqu&#237;cios mentais do jardim da inf&#226;ncia, como n&#227;o poderia ser diferente. Mas o fato se agrava, pois mesmo que n&#227;o tenha atingido o desenvolvimento necess&#225;rio &#224; aprova&#231;&#227;o &#8211; at&#233; porque n&#227;o lhe foi oferecido condi&#231;&#227;o para tal &#8211; o aluno alcan&#231;ar&#225; a s&#233;rie posterior. Ingressa-se na segunda s&#233;rie ainda com a mentalidade do &#8220;prezinho&#8221;, pois pouco ou quase nada lhe foi exigido. E a crian&#231;a vai a escola brincar como se estivesse num parque de divers&#227;o. Mas na segunda s&#233;rie tamb&#233;m n&#227;o h&#225; reprova, passa-se &#224; terceira sem qualquer dificuldade. E continua-se a brincar. Na quarta s&#233;rie brinca-se, &#8220;n&#227;o reprova mesmo&#8221;. Na quinta idem e assim sucessivamente. E brinca-se de todas as formas, inclusive de fazer nen&#233;m, uma vez que a sociedade erotizada na qual vivemos parece n&#227;o dar muita import&#226;ncia &#224; inevitabilidade biol&#243;gica do amadurecimento do aparelho reprodutor humano. Chega-se &#224; oitava s&#233;rie e a mentalidade escolar ainda est&#225; l&#225; atr&#225;s, no jardim da inf&#226;ncia, para o desespero dos professores. O adolescente vai &#224; escola como se estivesse indo &#224; creche. Pequeno na escola mas crescidinho fora dela. Primeiro ano do ensino m&#233;dio: Que maravilha! O indiv&#237;duo n&#227;o sabe nem articular seu pensamento de forma escrita por mais simples que seja o texto e a id&#233;ia. Existe tamb&#233;m aquela d&#250;vida cruel do aluno que j&#225; freq&#252;entou os oito anos do ensino fundamental: &#8220;brasil &#233; com z ou com s, f&#234;&#234;&#234;ssor?&#8221; &#8211; a inicial quase sempre grafada min&#250;scula. N&#227;o &#233; acaso que um n&#250;mero expressivo de &#8220;estudantes&#8221; desiste quando ingressa no ensino m&#233;dio como apontam as estat&#237;sticas. Alegam dificuldades. Outros matriculados insistem. E professores que n&#227;o conseguem ter a dimens&#227;o dessa complexidade julgam-se profissionais incapazes, incompetentes, poucos preparados. Aprovam os alunos movidos por press&#245;es das mais diversas, incluindo a press&#227;o da pena, do d&#243; (do aluno e de si mesmo). A verdade &#233; que se fosse levar a ferro e fogo reprovariam quase todos. N&#227;o h&#225; mais nada que o professor possa fazer. O pr&#243;prio per&#237;odo de alfabetiza&#231;&#227;o j&#225; se foi, ficou l&#225; atr&#225;s nos primeiros anos do ensino fundamental. Encaminha-se ao conselho de classe, arrasta-se uma &#8220;dep&#234;&#8221; aqui, uma &#8220;dep&#234;&#8221; ali e as s&#233;ries transcorrem at&#233;, enfim, concluir o terceiro ano do ensino m&#233;dio. Imaturo, diante das dificuldades que agora existem, tenta ingressar no mercado de trabalho. Tarde demais! &#8220;F&#234;ssor ieu fisso tudo, m&#225; num consigo tab&#225;io&#8221; comenta o ex-aprendiz e agora formado. O fato &#233; que com 16 anos o cidad&#227;o brasileiro pode intervir na vida pol&#237;tica do pa&#237;s pelo meio do voto e maturidade escolar pode levar &#224; maturidade pol&#237;tica, algo desinteressante aos c&#237;rculos dominantes. Logo, para que mudar? Continuemos brincando de escola. Deixa estar. </description>
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	<item rdf:about="http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/brincando_de_vestibular_brincando_de_ter">
		<title>Brincando de vestibular. Brincando de ter futuro.</title>
		<link>http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/brincando_de_vestibular_brincando_de_ter</link>
		<dc:date>22.03.08</dc:date>
		<dc:creator>marcelobotosso</dc:creator>
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		<description>Brincando de vestibular. Brincando de ter futuro. Jo&#227;o Victor Portellinha, uma crian&#231;a de oito anos de idade que cursa o quinto ano do ensino fundamental, prestou o vestibular da Unip (Universidade Paulista) para ingressar no curso de Direito e, acredite, foi aprovado. Indagado em uma entrevista sobre como fizera com as quest&#245;es de Qu&#237;mica e F&#237;sica, sendo que tais disciplinas n&#227;o compuseram a sua grade curricular, respondeu: &#8220;Ah! Meu pai tem uns livros sobre isso a&#237;, eu dei uma estudadinha.&#8221; Lembro-me que no meu tempo de gradua&#231;&#227;o, n&#243;s, alunos, e muitas vezes professores, sa&#237;mos &#224;s ruas em atos unificados das universidades estaduais de S&#227;o Paulo em defesa do ensino p&#250;blico, gratuito e de qualidade. Isso h&#225; mais de uma d&#233;cada, quando ento&#225;vamos de maneira jocosa palavras de ordem do tipo: &#8220;Defenda a universidade p&#250;blica ou acabe numa privada&#8221;. Transcorrido o tempo e diante de fatos como o ocorrido com o garoto Jo&#227;o Victor, ficou claro que a sociedade brasileira privilegiou a segunda op&#231;&#227;o de nossa jocosa e saudosa frase de ordem. Resta saber agora como essa mesma sociedade arcar&#225; com sua escolha. Talvez seja hora de apertar a descarga. </description>
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	<item rdf:about="http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/o_pico_dos_marins">
		<title>O Pico dos Marins</title>
		<link>http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/o_pico_dos_marins</link>
		<dc:date>03.11.07</dc:date>
		<dc:creator>marcelobotosso</dc:creator>
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&#34;Nem t&#227;o longe que n&#227;o possa ver/ Nem t&#227;o perto que possa tocar/ Nem t&#227;o longe que n&#227;o possa crer/ que um dia eu chego l&#225;&#34;. Esse &#233; um fragmento da can&#231;&#227;o &#8220;A Montanha&#8221; da banda Engenheiros do Hava&#237;. Letra conotativa que me inspirava (e inspira!) todas as vezes que visualizava em imagem ou pensamento o Pico dos Marins. Com aproximadamente 2.420 metros de altitude, o Pico dos Marins - um dos pontos mais altos de S&#227;o Paulo - &#233; um maci&#231;o colossal que se ergue na Serra da Mantiqueira na linha lim&#237;trofe dos Estados paulista e mineiro na regi&#227;o do Vale do Rio Para&#237;ba do Sul. Ainda pouco conhecido pelos paulistas, o Pico &#233; uma excelente op&#231;&#227;o para quem quer caminhar literalmente acima das nuvens e sem precisar ir t&#227;o longe da capital. Para se aventurar nesta empreitada, chamei o Jaime, amigo morador do Vale, que sem titubear topou a aventura convidando outros amigos tamb&#233;m da regi&#227;o. Ele j&#225; havia feito a travessia duas ou tr&#234;s vezes e isso deu mais seguran&#231;a &#224; minha iniciativa. A expedi&#231;&#227;o ficou marcada para meados de mar&#231;o de 2007, data comum a todos n&#243;s que pretend&#237;amos conquistar aquela fascinante montanha do &#8220;Himalaia Brasileiro&#8221;, alcunha dada &#224; Mantiqueira. O dia da aventura se aproximava e para o nosso azar as &#225;guas de mar&#231;o deram as caras. Entretanto n&#227;o fomos suficientemente racionais (e talvez nem corajosos) para adiar a aventura uma vez que tudo estava pronto e nossos &#226;nimos exaltados, bem como a minha curiosidade agu&#231;ada. Segunda quinzena de mar&#231;o: Com tempo fechado subimos em meio a uma n&#233;voa que n&#227;o deu tr&#233;gua durante os dois dias de expedi&#231;&#227;o, t&#237;nhamos uma visibilidade limite de 10 metros de dist&#226;ncia e gotas d&#8217;&#225;gua prontas a despencarem dos c&#233;us. Para o nosso desespero, os fortes ventos tamb&#233;m se faziam presente. Nos preparamos para pernoitar no cume. Nossas barracas estremeceram l&#225; do alto. O vento n&#227;o parava. N&#227;o foram raras as vezes que pensamos: &#8220;agora tudo vai pr&#8217;os ares&#8221;. Enfim ascendemos ao Pico. L&#225; acampamos. Pernoitamos. O vento n&#227;o nos levou. Quase morri de medo. N&#227;o consegui dormir e descemos no dia seguinte sem sequer ter uma foto visualmente aceit&#225;vel. Tampouco enxerguei aonde havia ido. Embora as condi&#231;&#245;es estivessem altamente desfavor&#225;veis &#224;quela modalidade de aventura, o montanhismo, nenhum acidente ocorreu, exceto o destacamento da unha de um ded&#227;o do meu p&#233; e de um outro companheiro. Apesar do p&#226;nico epid&#234;mico que amea&#231;ou o grupo, ficava uma certeza: eu tinha que voltar. Na segunda vez... Marcamos a expedi&#231;&#227;o para o m&#234;s de junho, inverno, per&#237;odo ideal para a travessia. De abril a setembro a escassez de chuva &#233; nossa aliada. Apesar do intenso frio que atinge com facilidade a casa do 0&#186;C nas altas altitudes, o tempo seco faz com que a visibilidade seja belissimamente compensadora. H&#225; tamb&#233;m a quest&#227;o da seguran&#231;a, pois sem neblina o risco de pegar uma trilha errada e acabar num desfiladeiro &#233; infinitamente menor. </description>
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	<item rdf:about="http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/continuacao_1">
		<title>continua&#231;&#227;o</title>
		<link>http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/continuacao_1</link>
		<dc:date>03.11.07</dc:date>
		<dc:creator>marcelobotosso</dc:creator>
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		<description>
Levando na bagagem a experi&#234;ncia da aventura anterior, partimos bem cedinho e o lampejo da aurora &#224; nossa frente sinalizava que a vinda do astro rei era iminente. De dentro dos carros ainda na rodovia, observ&#225;vamos o c&#233;u, &#225;vidos pelo dia ensolarado que a manh&#227; sem nuvens nos prometia. Saindo de S&#227;o Paulo em dire&#231;&#227;o a Lorena pela Via Dutra pegamos a rodovia BR 459 em dire&#231;&#227;o a Itajub&#225; &#8211; MG. No caminho, passando Lorena, encontra-se o munic&#237;pio de Piquete ainda no lado paulista. A r&#225;pida parada para o cafezinho num posto nesta cidade, aumentou a ansiedade e de forma s&#250;bita o sol come&#231;ou a se exibir. A partir dali seguimos a mesma via fazendo, mais &#224; frente, uma bifurca&#231;&#227;o &#224; direita guiando-nos por uma placa que indicava o Bairro Dos Marins. A estrada de belo panorama seguia o contorno das montanhas e dos cursos d&#8217;&#225;gua ao fundo dos vales fazendo jus ao t&#237;tulo &#8220;cidade paisagem&#8221; que o munic&#237;pio recebe. Tudo isso ainda no asfalto at&#233; entrarmos, &#224; esquerda, numa estradinha de terra em aclive e com p&#233;ssimas condi&#231;&#245;es de tr&#226;nsito. Na expedi&#231;&#227;o anterior por muito pouco nosso carro n&#227;o subiu tal ladeira enlameada e escorregadia. Engra&#231;ado &#233; que de dentro do carro, ainda no sinuoso caminho, nossos pesco&#231;os se envergavam e as cabe&#231;as se mexiam com rapidez de um lado para o outro, pois como crian&#231;as em busca de pipas no c&#233;u, procur&#225;vamos entusiasmados o &#8220;nosso&#8221; Pico no meio das eleva&#231;&#245;es que despontavam na serra. Expectativa e gritos no carro: &#8220;&#201; ele. Acho que &#233;!?! N&#227;o. N&#227;o &#233;. &#201;. Ser&#225;? Acho que n&#227;o&#8221;. Seguindo a mesma estrada, ora pavimentada com blocos de concreto, ora ch&#227;o batido e acometida por alguns ind&#237;cios de vo&#231;oroca, passamos por um portal r&#250;stico feito em madeira com a inscri&#231;&#227;o &#8220;Bem-vindos a Marmel&#243;polis-MG&#8221;. Enfim chegamos no &#250;ltimo ponto onde ainda &#233; poss&#237;vel o acesso de um ve&#237;culo de rodas. Dali pra frente s&#243; a p&#233;. Inspecionamos todo o equipamento e realizamos uma breve sess&#227;o de alongamentos para resistir &#224; &#225;rdua subida de aproximadamente 5 horas. Apertam-se os cal&#231;ados e ajustam-se as mochilas cargueiras ao corpo. E vamos n&#243;s! Na trilha &#237;ngreme, a etapa inicial &#233; chegarmos ao Morro Careca onde se come&#231;a efetivamente a trilha que nos levar&#225; ao ponto culminante. Neste trecho nos deparamos com alguns saborosos e raros morangos silvestres conhecidos localmente como morango bravo. C&#233;u de brigadeiro. O dia estava pra l&#225; de claro. Luminosidade total. Do descampado Careca, como o pr&#243;prio nome sugere, avistamos o rochoso Pico dos Marins. &#8220;Puxa! Como &#233; alto&#8221; exclamou o companheiro S&#233;rgio que tempos atr&#225;s, do mesmo ponto, nem sequer conseguiu enxergar a montanha naquela fat&#237;dica expedi&#231;&#227;o de mar&#231;o. Caminhando aproximadamente uns 100 metros, encontramos uma &#225;rea remanescente de mata atl&#226;ntica com plantas de folhas largas e perenes. L&#225; se concentram exemplares de imba&#250;bas, jequitib&#225;s, cedros, quaresmeiras, ip&#234;s, samambaias, taquaras entre outros. Curioso notar que o ponto inicial da trilha do Pico dos Marins fica em Minas Gerais, munic&#237;pio de Marmel&#243;polis, e a medida que se sobe adentra-se em S&#227;o Paulo, munic&#237;pio de Piquete. Mas como fica patente, a natureza pouco se importa se h&#225; divis&#245;es pol&#237;ticas territoriais, ela segue seu curso independente de decretos e conveni&#234;ncias administrativas governamentais. Todavia, &#233; necess&#225;rio passar no meio da densa vegeta&#231;&#227;o de mata atl&#226;ntica que em poucos minutos de caminhada nos abandona cedendo lugar aos campos de altitude (ou campos rupestres) com sua vegeta&#231;&#227;o predominantemente gram&#237;nea, pouco comum aos olhos tropicais do brasileiro. Ah! N&#227;o cabe deixar de registrar que fomos brindados com a apari&#231;&#227;o inusitada de um &#225;gil esquilo no meio da mata. Ao contr&#225;rio da primeira expedi&#231;&#227;o, onde s&#243; n&#243;s sub&#237;amos, nesta segunda encontramos alguns grupos pelo caminho que faziam o operacional bate-e-volta. Nele, por prescindir do pernoite, voc&#234; se livra do peso exaustivo que uma mochila cargueira aloja. Uns chegavam ao cume, contemplavam, fotografavam e voltavam, outros desistiam na metade da rota, paravam, se recompunham e desciam. Iniciamos a trilha com aproximadamente 15 quilos nas costas, mas ao passo em que os minutos e as horas passavam o peso da bagagem parecia multiplicar-se numa progress&#227;o geom&#233;trica. A temperatura amena dos dias nas montanhas evitava que o suor corresse em bicas. O solo pedregoso dos campos de altitude tornava-se cada vez mais s&#243;lido, como se come&#231;&#225;ssemos caminhar sobre uma &#250;nica e imensa pedra. Naquele momento de introspec&#231;&#227;o eu imaginava quantos milh&#245;es de toneladas teriam aquele maci&#231;o. Puro devaneio causado pela consci&#234;ncia de ser &#237;nfimo frente &#224; impon&#234;ncia da montanha. Sempre-vivas, brom&#233;lias, orqu&#237;deas, canelas-de-ema ficavam cada vez mais raras &#224; medida que conquist&#225;vamos altitude, mas uma flor de vermelho intenso, esp&#233;cie de l&#237;rio, brotava da rocha em v&#225;rios pontos ignorando a aus&#234;ncia de terra e as condi&#231;&#245;es in&#243;spitas de frio intenso, ventos e fortes geadas. Em determinados pontos era preciso utilizar m&#227;os e p&#233;s se quisessemos vencer os obst&#225;culos que nos foram impostos de maneira caprichosa pela natureza, numa verdadeira &#8220;escalaminhada&#8221;. A trilha possui algumas marca&#231;&#245;es, como totens que s&#227;o pedras sobrepostas, sinalizando o local correto de passagem. &#201; preciso ficar atento. Tomar o caminho errado pode resultar num acidente, por vezes fatal. Quase instintivamente eu ia &#224; frente guiando o grupo, tamanha vontade e disposi&#231;&#227;o de chegar ao cume. Em aproximadamente 2000 metros, atingimos uma esp&#233;cie de vale onde existe uma nascente com &#225;gua escura e uma placa indicando esta ser impr&#243;pria ao consumo humano. Aquela &#225;gua me era familiar, mas o entorno n&#227;o. Pudera, da outra vez que l&#225; passamos n&#227;o enxergamos muito al&#233;m da ponta dos nossos dedos com os bra&#231;os estendidos. Na &#233;poca, a umidade do lugar intensificava a neblina. </description>
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	<title>Marcelo Botosso</title>
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		<dc:date>12.09.08</dc:date>
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		<dc:subject>Ciência e História</dc:subject>
		<description>Hist&#243;rias de vidas 
Marcelo Botosso* 
Vidas que cruzaram d&#233;cadas est&#227;o sendo ceifadas em quest&#227;o de minutos. As imponentes figueiras da Avenida F&#225;bio Barreto, bem como outras &#225;rvores pr&#243;ximas, est&#227;o sendo derrubadas para darem passagem &#224;s &#225;guas das chuvas. &#201; o que alega a Prefeitura Municipal de Ribeir&#227;o Preto. Diante da excessiva impermeabiliza&#231;&#227;o do solo, a &#225;gua da chuva de uma ampla regi&#227;o corre para um &#250;nico ponto: a calha do urbanizado Ribeir&#227;o Preto que n&#227;o ag&#252;enta e transborda. &#201; preciso chegar ao caos para se pensar na vida? Vidas de &#225;rvores e Homens que habitam essa cidade. Registro aqui minha p&#225;lida, por&#233;m ainda viva, esperan&#231;a de que o problema das enchentes seja solucionado, que as &#225;rvores mortas sejam compensadas e que o ribeir&#227;o-pretano, a partir de agora, planeje melhor sua cidade. Hist&#243;rias &#8211; de Homens e de &#225;rvores - n&#227;o se constroem de uma hora para outra. 
* &#233; historiador. Publicado no Jornal A Cidade 11/09/2008 </description>
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	<item rdf:about="http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/imaturidade_construida">
		<title>Imaturidade constru&#237;da</title>
		<link>http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/imaturidade_construida</link>
		<dc:date>22.03.08</dc:date>
		<dc:creator>marcelobotosso</dc:creator>
		<dc:subject>Ciência e História</dc:subject>
		<description>Imaturidade constru&#237;da &#201; sabido que certas dificuldades nos levam inevitavelmente ao amadurecimento. Entre os erros e os acertos de nossa vida buscamos o que melhor nos conv&#233;m e isso faz parte do processo amadurecer. Na vida escolar isso n&#227;o &#233; diferente. Estudamos com mais afinco &#224;s mat&#233;rias cujas dificuldades se acentuam. No estudo tamb&#233;m amadurecemos diante das dificuldades. Mas quais s&#227;o as dificuldades na escola da Progress&#227;o Continuada, aquela que na sabedoria popular denomina-se &#8220;passa sem estudar&#8221;? O aluno ingressa no primeiro ano do ensino fundamental ainda com os resqu&#237;cios mentais do jardim da inf&#226;ncia, como n&#227;o poderia ser diferente. Mas o fato se agrava, pois mesmo que n&#227;o tenha atingido o desenvolvimento necess&#225;rio &#224; aprova&#231;&#227;o &#8211; at&#233; porque n&#227;o lhe foi oferecido condi&#231;&#227;o para tal &#8211; o aluno alcan&#231;ar&#225; a s&#233;rie posterior. Ingressa-se na segunda s&#233;rie ainda com a mentalidade do &#8220;prezinho&#8221;, pois pouco ou quase nada lhe foi exigido. E a crian&#231;a vai a escola brincar como se estivesse num parque de divers&#227;o. Mas na segunda s&#233;rie tamb&#233;m n&#227;o h&#225; reprova, passa-se &#224; terceira sem qualquer dificuldade. E continua-se a brincar. Na quarta s&#233;rie brinca-se, &#8220;n&#227;o reprova mesmo&#8221;. Na quinta idem e assim sucessivamente. E brinca-se de todas as formas, inclusive de fazer nen&#233;m, uma vez que a sociedade erotizada na qual vivemos parece n&#227;o dar muita import&#226;ncia &#224; inevitabilidade biol&#243;gica do amadurecimento do aparelho reprodutor humano. Chega-se &#224; oitava s&#233;rie e a mentalidade escolar ainda est&#225; l&#225; atr&#225;s, no jardim da inf&#226;ncia, para o desespero dos professores. O adolescente vai &#224; escola como se estivesse indo &#224; creche. Pequeno na escola mas crescidinho fora dela. Primeiro ano do ensino m&#233;dio: Que maravilha! O indiv&#237;duo n&#227;o sabe nem articular seu pensamento de forma escrita por mais simples que seja o texto e a id&#233;ia. Existe tamb&#233;m aquela d&#250;vida cruel do aluno que j&#225; freq&#252;entou os oito anos do ensino fundamental: &#8220;brasil &#233; com z ou com s, f&#234;&#234;&#234;ssor?&#8221; &#8211; a inicial quase sempre grafada min&#250;scula. N&#227;o &#233; acaso que um n&#250;mero expressivo de &#8220;estudantes&#8221; desiste quando ingressa no ensino m&#233;dio como apontam as estat&#237;sticas. Alegam dificuldades. Outros matriculados insistem. E professores que n&#227;o conseguem ter a dimens&#227;o dessa complexidade julgam-se profissionais incapazes, incompetentes, poucos preparados. Aprovam os alunos movidos por press&#245;es das mais diversas, incluindo a press&#227;o da pena, do d&#243; (do aluno e de si mesmo). A verdade &#233; que se fosse levar a ferro e fogo reprovariam quase todos. N&#227;o h&#225; mais nada que o professor possa fazer. O pr&#243;prio per&#237;odo de alfabetiza&#231;&#227;o j&#225; se foi, ficou l&#225; atr&#225;s nos primeiros anos do ensino fundamental. Encaminha-se ao conselho de classe, arrasta-se uma &#8220;dep&#234;&#8221; aqui, uma &#8220;dep&#234;&#8221; ali e as s&#233;ries transcorrem at&#233;, enfim, concluir o terceiro ano do ensino m&#233;dio. Imaturo, diante das dificuldades que agora existem, tenta ingressar no mercado de trabalho. Tarde demais! &#8220;F&#234;ssor ieu fisso tudo, m&#225; num consigo tab&#225;io&#8221; comenta o ex-aprendiz e agora formado. O fato &#233; que com 16 anos o cidad&#227;o brasileiro pode intervir na vida pol&#237;tica do pa&#237;s pelo meio do voto e maturidade escolar pode levar &#224; maturidade pol&#237;tica, algo desinteressante aos c&#237;rculos dominantes. Logo, para que mudar? Continuemos brincando de escola. Deixa estar. </description>
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	<item rdf:about="http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/brincando_de_vestibular_brincando_de_ter">
		<title>Brincando de vestibular. Brincando de ter futuro.</title>
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		<dc:date>22.03.08</dc:date>
		<dc:creator>marcelobotosso</dc:creator>
		<dc:subject>Ciência e História</dc:subject>
		<description>Brincando de vestibular. Brincando de ter futuro. Jo&#227;o Victor Portellinha, uma crian&#231;a de oito anos de idade que cursa o quinto ano do ensino fundamental, prestou o vestibular da Unip (Universidade Paulista) para ingressar no curso de Direito e, acredite, foi aprovado. Indagado em uma entrevista sobre como fizera com as quest&#245;es de Qu&#237;mica e F&#237;sica, sendo que tais disciplinas n&#227;o compuseram a sua grade curricular, respondeu: &#8220;Ah! Meu pai tem uns livros sobre isso a&#237;, eu dei uma estudadinha.&#8221; Lembro-me que no meu tempo de gradua&#231;&#227;o, n&#243;s, alunos, e muitas vezes professores, sa&#237;mos &#224;s ruas em atos unificados das universidades estaduais de S&#227;o Paulo em defesa do ensino p&#250;blico, gratuito e de qualidade. Isso h&#225; mais de uma d&#233;cada, quando ento&#225;vamos de maneira jocosa palavras de ordem do tipo: &#8220;Defenda a universidade p&#250;blica ou acabe numa privada&#8221;. Transcorrido o tempo e diante de fatos como o ocorrido com o garoto Jo&#227;o Victor, ficou claro que a sociedade brasileira privilegiou a segunda op&#231;&#227;o de nossa jocosa e saudosa frase de ordem. Resta saber agora como essa mesma sociedade arcar&#225; com sua escolha. Talvez seja hora de apertar a descarga. </description>
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	<item rdf:about="http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/o_pico_dos_marins">
		<title>O Pico dos Marins</title>
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		<dc:date>03.11.07</dc:date>
		<dc:creator>marcelobotosso</dc:creator>
		<dc:subject>Ciência e História</dc:subject>
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&#34;Nem t&#227;o longe que n&#227;o possa ver/ Nem t&#227;o perto que possa tocar/ Nem t&#227;o longe que n&#227;o possa crer/ que um dia eu chego l&#225;&#34;. Esse &#233; um fragmento da can&#231;&#227;o &#8220;A Montanha&#8221; da banda Engenheiros do Hava&#237;. Letra conotativa que me inspirava (e inspira!) todas as vezes que visualizava em imagem ou pensamento o Pico dos Marins. Com aproximadamente 2.420 metros de altitude, o Pico dos Marins - um dos pontos mais altos de S&#227;o Paulo - &#233; um maci&#231;o colossal que se ergue na Serra da Mantiqueira na linha lim&#237;trofe dos Estados paulista e mineiro na regi&#227;o do Vale do Rio Para&#237;ba do Sul. Ainda pouco conhecido pelos paulistas, o Pico &#233; uma excelente op&#231;&#227;o para quem quer caminhar literalmente acima das nuvens e sem precisar ir t&#227;o longe da capital. Para se aventurar nesta empreitada, chamei o Jaime, amigo morador do Vale, que sem titubear topou a aventura convidando outros amigos tamb&#233;m da regi&#227;o. Ele j&#225; havia feito a travessia duas ou tr&#234;s vezes e isso deu mais seguran&#231;a &#224; minha iniciativa. A expedi&#231;&#227;o ficou marcada para meados de mar&#231;o de 2007, data comum a todos n&#243;s que pretend&#237;amos conquistar aquela fascinante montanha do &#8220;Himalaia Brasileiro&#8221;, alcunha dada &#224; Mantiqueira. O dia da aventura se aproximava e para o nosso azar as &#225;guas de mar&#231;o deram as caras. Entretanto n&#227;o fomos suficientemente racionais (e talvez nem corajosos) para adiar a aventura uma vez que tudo estava pronto e nossos &#226;nimos exaltados, bem como a minha curiosidade agu&#231;ada. Segunda quinzena de mar&#231;o: Com tempo fechado subimos em meio a uma n&#233;voa que n&#227;o deu tr&#233;gua durante os dois dias de expedi&#231;&#227;o, t&#237;nhamos uma visibilidade limite de 10 metros de dist&#226;ncia e gotas d&#8217;&#225;gua prontas a despencarem dos c&#233;us. Para o nosso desespero, os fortes ventos tamb&#233;m se faziam presente. Nos preparamos para pernoitar no cume. Nossas barracas estremeceram l&#225; do alto. O vento n&#227;o parava. N&#227;o foram raras as vezes que pensamos: &#8220;agora tudo vai pr&#8217;os ares&#8221;. Enfim ascendemos ao Pico. L&#225; acampamos. Pernoitamos. O vento n&#227;o nos levou. Quase morri de medo. N&#227;o consegui dormir e descemos no dia seguinte sem sequer ter uma foto visualmente aceit&#225;vel. Tampouco enxerguei aonde havia ido. Embora as condi&#231;&#245;es estivessem altamente desfavor&#225;veis &#224;quela modalidade de aventura, o montanhismo, nenhum acidente ocorreu, exceto o destacamento da unha de um ded&#227;o do meu p&#233; e de um outro companheiro. Apesar do p&#226;nico epid&#234;mico que amea&#231;ou o grupo, ficava uma certeza: eu tinha que voltar. Na segunda vez... Marcamos a expedi&#231;&#227;o para o m&#234;s de junho, inverno, per&#237;odo ideal para a travessia. De abril a setembro a escassez de chuva &#233; nossa aliada. Apesar do intenso frio que atinge com facilidade a casa do 0&#186;C nas altas altitudes, o tempo seco faz com que a visibilidade seja belissimamente compensadora. H&#225; tamb&#233;m a quest&#227;o da seguran&#231;a, pois sem neblina o risco de pegar uma trilha errada e acabar num desfiladeiro &#233; infinitamente menor. </description>
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	<item rdf:about="http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/continuacao_1">
		<title>continua&#231;&#227;o</title>
		<link>http://marcelobotosso.blog.terra.com.br/continuacao_1</link>
		<dc:date>03.11.07</dc:date>
		<dc:creator>marcelobotosso</dc:creator>
		<dc:subject>Ciência e História</dc:subject>
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Levando na bagagem a experi&#234;ncia da aventura anterior, partimos bem cedinho e o lampejo da aurora &#224; nossa frente sinalizava que a vinda do astro rei era iminente. De dentro dos carros ainda na rodovia, observ&#225;vamos o c&#233;u, &#225;vidos pelo dia ensolarado que a manh&#227; sem nuvens nos prometia. Saindo de S&#227;o Paulo em dire&#231;&#227;o a Lorena pela Via Dutra pegamos a rodovia BR 459 em dire&#231;&#227;o a Itajub&#225; &#8211; MG. No caminho, passando Lorena, encontra-se o munic&#237;pio de Piquete ainda no lado paulista. A r&#225;pida parada para o cafezinho num posto nesta cidade, aumentou a ansiedade e de forma s&#250;bita o sol come&#231;ou a se exibir. A partir dali seguimos a mesma via fazendo, mais &#224; frente, uma bifurca&#231;&#227;o &#224; direita guiando-nos por uma placa que indicava o Bairro Dos Marins. A estrada de belo panorama seguia o contorno das montanhas e dos cursos d&#8217;&#225;gua ao fundo dos vales fazendo jus ao t&#237;tulo &#8220;cidade paisagem&#8221; que o munic&#237;pio recebe. Tudo isso ainda no asfalto at&#233; entrarmos, &#224; esquerda, numa estradinha de terra em aclive e com p&#233;ssimas condi&#231;&#245;es de tr&#226;nsito. Na expedi&#231;&#227;o anterior por muito pouco nosso carro n&#227;o subiu tal ladeira enlameada e escorregadia. Engra&#231;ado &#233; que de dentro do carro, ainda no sinuoso caminho, nossos pesco&#231;os se envergavam e as cabe&#231;as se mexiam com rapidez de um lado para o outro, pois como crian&#231;as em busca de pipas no c&#233;u, procur&#225;vamos entusiasmados o &#8220;nosso&#8221; Pico no meio das eleva&#231;&#245;es que despontavam na serra. Expectativa e gritos no carro: &#8220;&#201; ele. Acho que &#233;!?! N&#227;o. N&#227;o &#233;. &#201;. Ser&#225;? Acho que n&#227;o&#8221;. Seguindo a mesma estrada, ora pavimentada com blocos de concreto, ora ch&#227;o batido e acometida por alguns ind&#237;cios de vo&#231;oroca, passamos por um portal r&#250;stico feito em madeira com a inscri&#231;&#227;o &#8220;Bem-vindos a Marmel&#243;polis-MG&#8221;. Enfim chegamos no &#250;ltimo ponto onde ainda &#233; poss&#237;vel o acesso de um ve&#237;culo de rodas. Dali pra frente s&#243; a p&#233;. Inspecionamos todo o equipamento e realizamos uma breve sess&#227;o de alongamentos para resistir &#224; &#225;rdua subida de aproximadamente 5 horas. Apertam-se os cal&#231;ados e ajustam-se as mochilas cargueiras ao corpo. E vamos n&#243;s! Na trilha &#237;ngreme, a etapa inicial &#233; chegarmos ao Morro Careca onde se come&#231;a efetivamente a trilha que nos levar&#225; ao ponto culminante. Neste trecho nos deparamos com alguns saborosos e raros morangos silvestres conhecidos localmente como morango bravo. C&#233;u de brigadeiro. O dia estava pra l&#225; de claro. Luminosidade total. Do descampado Careca, como o pr&#243;prio nome sugere, avistamos o rochoso Pico dos Marins. &#8220;Puxa! Como &#233; alto&#8221; exclamou o companheiro S&#233;rgio que tempos atr&#225;s, do mesmo ponto, nem sequer conseguiu enxergar a montanha naquela fat&#237;dica expedi&#231;&#227;o de mar&#231;o. Caminhando aproximadamente uns 100 metros, encontramos uma &#225;rea remanescente de mata atl&#226;ntica com plantas de folhas largas e perenes. L&#225; se concentram exemplares de imba&#250;bas, jequitib&#225;s, cedros, quaresmeiras, ip&#234;s, samambaias, taquaras entre outros. Curioso notar que o ponto inicial da trilha do Pico dos Marins fica em Minas Gerais, munic&#237;pio de Marmel&#243;polis, e a medida que se sobe adentra-se em S&#227;o Paulo, munic&#237;pio de Piquete. Mas como fica patente, a natureza pouco se importa se h&#225; divis&#245;es pol&#237;ticas territoriais, ela segue seu curso independente de decretos e conveni&#234;ncias administrativas governamentais. Todavia, &#233; necess&#225;rio passar no meio da densa vegeta&#231;&#227;o de mata atl&#226;ntica que em poucos minutos de caminhada nos abandona cedendo lugar aos campos de altitude (ou campos rupestres) com sua vegeta&#231;&#227;o predominantemente gram&#237;nea, pouco comum aos olhos tropicais do brasileiro. Ah! N&#227;o cabe deixar de registrar que fomos brindados com a apari&#231;&#227;o inusitada de um &#225;gil esquilo no meio da mata. Ao contr&#225;rio da primeira expedi&#231;&#227;o, onde s&#243; n&#243;s sub&#237;amos, nesta segunda encontramos alguns grupos pelo caminho que faziam o operacional bate-e-volta. Nele, por prescindir do pernoite, voc&#234; se livra do peso exaustivo que uma mochila cargueira aloja. Uns chegavam ao cume, contemplavam, fotografavam e voltavam, outros desistiam na metade da rota, paravam, se recompunham e desciam. Iniciamos a trilha com aproximadamente 15 quilos nas costas, mas ao passo em que os minutos e as horas passavam o peso da bagagem parecia multiplicar-se numa progress&#227;o geom&#233;trica. A temperatura amena dos dias nas montanhas evitava que o suor corresse em bicas. O solo pedregoso dos campos de altitude tornava-se cada vez mais s&#243;lido, como se come&#231;&#225;ssemos caminhar sobre uma &#250;nica e imensa pedra. Naquele momento de introspec&#231;&#227;o eu imaginava quantos milh&#245;es de toneladas teriam aquele maci&#231;o. Puro devaneio causado pela consci&#234;ncia de ser &#237;nfimo frente &#224; impon&#234;ncia da montanha. Sempre-vivas, brom&#233;lias, orqu&#237;deas, canelas-de-ema ficavam cada vez mais raras &#224; medida que conquist&#225;vamos altitude, mas uma flor de vermelho intenso, esp&#233;cie de l&#237;rio, brotava da rocha em v&#225;rios pontos ignorando a aus&#234;ncia de terra e as condi&#231;&#245;es in&#243;spitas de frio intenso, ventos e fortes geadas. Em determinados pontos era preciso utilizar m&#227;os e p&#233;s se quisessemos vencer os obst&#225;culos que nos foram impostos de maneira caprichosa pela natureza, numa verdadeira &#8220;escalaminhada&#8221;. A trilha possui algumas marca&#231;&#245;es, como totens que s&#227;o pedras sobrepostas, sinalizando o local correto de passagem. &#201; preciso ficar atento. Tomar o caminho errado pode resultar num acidente, por vezes fatal. Quase instintivamente eu ia &#224; frente guiando o grupo, tamanha vontade e disposi&#231;&#227;o de chegar ao cume. Em aproximadamente 2000 metros, atingimos uma esp&#233;cie de vale onde existe uma nascente com &#225;gua escura e uma placa indicando esta ser impr&#243;pria ao consumo humano. Aquela &#225;gua me era familiar, mas o entorno n&#227;o. Pudera, da outra vez que l&#225; passamos n&#227;o enxergamos muito al&#233;m da ponta dos nossos dedos com os bra&#231;os estendidos. Na &#233;poca, a umidade do lugar intensificava a neblina. </description>
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