Marcelo Botosso

Blog pessoal de Marcelo Botosso. A proposta deste blog é divulgar e discutir assuntos relacionados aos temas que são de interesse pessoal e profissional do autor, tais como História, política, ciência, meio ambiente, música, esportes de aventura, etc

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Terra Blog

03.11.07

continuação

Atravessando o estreito córrego chegamos à última etapa do inclinado caminho. E bota inclinado nisso. É o paredão. Aqui muitos desistem, mas já estivemos lá em condições adversas e vencemos, por que não venceríamos outra vez? Alias vencer não seria o verbo indicado, pois se tratando da montanha, o ideal é utilizar conquistamos. Não se vence uma montanha, conquista-se! Ela não é uma inimiga. Nos pusemos a “escalaminhar” com o resto de forças que tínhamos e em menos de 50 minutos lá estávamos. No topo. No cume. No Pico dos Marins. Aos 2.422 metros de altitude no Estado de São Paulo. Realmente, chegar lá e observar a paisagem é literalmente ir às alturas. Como diz a expressão popular: “Subir na vida”.
O cenário é belo e poético, com uma vegetação rarefeita no pico composta de gramíneas, alguns cravos silvestres, contando ainda com musgos e liquens, ar puro e sempre gélido, assim como o verde e a solidão dos vales e a imponência da cordilheira com o horizonte a perder-se no sem-fim em uma verdadeira dizima periódica de montanhas. São os mares de morros como é chamada pelos geógrafos a região da Mantiqueira.
Passando o momento de êxtase nos pusemos a armar o acampamento. Traumatizado com a experiência passada, armei minha barraca em meio a algumas moitas de capim no intuito de me proteger de possíveis ventos. Entretanto, a noite transcorreu bem, mas a menor rajada de ar eu ficava tenso. O firmamento lá do alto é assustadoramente belo e opressor. Parece que a qualquer momento pode desabar sobre nossas cabeças. Apesar do sinal do celular deixar a desejar, é possível ver os inúmeros satélites artificiais que circundam a Terra, sem contar as estrelas cadentes e o comportamento engraçado de alguns companheiros com aquela crendice de se fazer um pedido. De lá é possível ver as luzes de mais de uma dezena de cidades do Vale do Paraíba. Os companheiros autóctones arriscavam a dizer o nome de cada uma delas. Após muita conversa, piada e riso me recolhi ao meu aposento de 2,0 metros por 1,40 instalado sobre um nada macio solo rochoso. Ossos do ofício. Na madrugada o termômetro registrou – 2ºC e eu me encolhi na barraca, bem agasalhado, prevendo o congelamento da minha reserva de água que ficou do lado de fora. Dito e feito. Na manhã constatei que a garrafa estava dura de gelo e nada a fazer a não ser esperar o derretimento, me pus a contemplar o deslumbrante nascer-do-sol e as nuvens e brumas que passeavam por entre as montanhas. Tentar uma descrição daquela cena, por mais completa que seja, é trair o que se viu.
Passado algumas horas após o despertar de todos e bem antes do meio dia, recolhemos as tralhas e fizemos o caminho inverso, em declive, para chegarmos aos carros em aproximadamente 4 horas de caminhada e posteriormente buscarmos comida, banho e cama, desta vez merecidamente macia.
Bem diferente da primeira expedição, esta foi prazerosamente tranqüila. Saímos satisfeitos e eu, em particular, com planos de um futuro retorno ao topo de São Paulo.

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  • Postado em 16:27:42

Dica sobre montanhismo

DICA
“Unhas compridas podem ocasionar lesões quando o caminhar é intenso, principalmente no terreno declive. Corte corretamente as unhas dos pés 48 horas antes da expedição. É o tempo suficiente para que dedos, calçados e meias se acomodem ao novo corte. E se o tempo estiver chuvoso não vá, adie! Além de evitar possíveis acidentes por causa da falta de visibilidade, a paisagem da montanha é por demasia exuberante para não ser contemplada em sua plenitude”.

MONTANHISMO
O montanhismo é uma prática esportiva que consiste no ato de atravessar montanhas com ou sem a utilização de equipamentos especiais. Há quem defenda a distinção entre montanhismo - caminhar sobre as montanhas, como fizemos no Pico dos Marins - e escalada – subir e descer montanhas com níveis de dificuldades que exijam uma escalada técnica através da utilização de equipamentos especializados, tais como cordas, grampos, etc. Outro termo que aquece a discussão é o alpinismo, este oriundo das famosas conquistas dos Alpes da Europa. Sejam quais forem os termos e definições, todos convergem num ponto: o praticante sempre busca na atividade a convivência intensa e pacífica com o ambiente natural.

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  • Postado em 16:21:30

15.10.07

Terrorismo em Londres

Terrorismo em Londres

Marcelo Botosso*

Violência gera violência. O ditado é tão antigo quanto verdadeiro. O atentado terrorista ocorrido no centro financeiro de Londres pode nos dar indícios da veracidade deste ditado.
A escolha do local para o espetáculo do terror não foi aleatória. Assim como a Espanha, o Reino Unido – enfaticamente a Inglaterra sob o comando de Toni Blair - foi um dos principais aliados dos Estados Unidos na invasão do Iraque. Lembremos da recente ação terrorista praticada nos trens da Espanha. O atentado em Espanha, que inicialmente foi atribuído ao grupo separatista basco, o ETA, foi assumido pela Al Qaeda de Osama Bin Laden como represália à permanência de tropas espanholas no Oriente Médio. Mas agora parece que foi a vez da Inglaterra.
Um grupo denominado organização secreta da Al Qaeda na Europa divulgou, via internet, ser o autor do atentado. Tudo indica ser esse o pior ataque terrorista sofrido pela Inglaterra desde a Segunda Grande Guerra Mundial que terminou oficialmente em 1945. Quatro focos de explosões, três em trens e um num ônibus, causaram dezenas de mortos e centenas de feridos disseminando o medo incontrolável entre os cidadãos londrinos, Ingleses e de todo o Reino Unido. O medo também chegou ao outro lado do oceano Atlântico, nos Estados Unidos da América (EUA). Na Espanha nem tanto, pois apesar de vulnerável ao terror como qualquer outro país, os socialistas espanhóis retiraram as tropas do Iraque assim que ascenderam ao poder.
Segundo declarações do presidente dos EUA, George Bush, o mesmo que há tempos declarou guerra ao terror, o mundo seria mais seguro com a deposição do ditador Saddan Hussein justificando assim a intervenção militar no Iraque. O Iraque foi invadido e Hussein deposto, entretanto, mais uma vez, o terrorismo personificado na Al Qaeda assumiu outra prática contra a vida, a morte do embaixador do Egito. Segundo os terroristas, o referido embaixador era considerado representante de um governo tirano e inimigo do Islã.
Diante dos fatos fica evidente a vitalidade do ditado mencionado acima. A violência inevitavelmente gera violência. Não se recorre a ela quando o objetivo é a paz. Não existe guerra contra o terror. O terrorismo é um inimigo oculto que surge nas brechas geradas pelo sistema. Ao contrário do que Bush apregoa, é impossível combater terrorismo com planos beligerantes. Acabar com toda a violência humana no mundo é utopia, mas minimiza-la é algo perfeitamente possível além de um dever das potencias mundiais: não com guerras, mas com o combate a corrupção, a miséria e a fome através de políticas efetivamente sociais e não demagógicas.

 * Publicado no jornal A Cidade, Ribeirão Preto – SP, p. 2, 09/07/2005

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  • Postado em 13:50:19

11.10.07

Autógrafos na Feira do Livro 2007

AGRADECIMENTOS

A todos que compareceram na minha "quente" (rs) sessão de autógrafos na 7ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto no Espaço Paraler. Mesmo aqueles que já possuíam o livro, mas lá estiveram para me prestigiar, entre eles Flávia, Dig Zero, Ritinha, Paola, minha incondicional “fã” senhora Vilma entre outros. Ao Erlon, amigo de luta e ideal, desejo que o texto esclareça um pouco o que eu fazia com tanto afinco nesta última década. Ao David, em especial, que o livro dê caminhos para a sistematização da idéia daquilo que lutadores sociais fizeram num passado recente. Aos amigos que reencontrei quase que por um acaso. Aos leitores anônimos, com o desejo que o texto permita compreender - mais que realizar qualquer estabelecimento de juízo de valor - os conflitos, as dificuldades e o contexto relacionados à ação naquele período sombrio de nossa história.
Aos que com compromissos previamente agendados não puderam comparecer mas estão sempre na torcida (Valeu Amilton).
E finalmente, cumpre agradecer a livraria Paraler e a Editora Holos pela gentileza e iniciativa.

Obrigado a todos.

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  • Postado em 13:23:30

30.09.07

FALN, a guerrilha em Ribeirão Preto.

Períodos da história de grande tensão normalmente têm as causas reais dos acontecimentos encobertas em sua época, de maneira que a tomada de decisões é sempre crítica. Assim, a construção da história de um país demanda, acima de tudo, uma compreensão cuidadosa dos eventos passados, para que sirva em alguma medida de balizamento ao que vem à frente. O período da ditadura civil-militar no Brasil iniciada em 1964 deu-se em uma situação única do país e do mundo, do ponto de vista cultural, econômico, ideológico, etc. Segmentos diferentes da sociedade reagiram diferentemente a fatos e pressões da época. A análise de documentos e as entrevistas extremamente oportunas realizadas pelo historiador Marcelo Botosso a respeito da ação de um dos grupos que fez a opção pela luta armada no Brasil, as Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN), permitem compreender, mais que realizar qualquer estabelecimento de juízo de valor, os conflitos, as dificuldades e o contexto relacionados à ação nesse período sombrio da história do Brasil. Uma vez que os riscos à integridade do país nunca se esgotam, essas deveriam ser reflexões permanentes.

(Nota do Editor) www.holoseditora.com.br

Mais sobre o livro

Fruto de uma pesquisa iniciada em 1996, vinculada à UNESP (Universidade Estadual Paulista) e financiada pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), somente agora este livro traz ao público as inquietações não só de seu autor, mas de uma sociedade - ou ao menos parte dela - que não digeriu os acontecimentos que culminaram no Golpe de Estado de 1º de abril de 1964. O estudo focaliza um grupo de lutadores sociais que concebeu a violência revolucionária armada como a única forma de rechaçar o regime político de então. Porém, como aplicar essa violência? Qual seria o principal alvo? A forma? O método? O momento certo? O povo participaria? Como? Quando? Estas são algumas das questões levantadas neste trabalho inédito que aborda a originalidade de uma dentre muitas organizações guerrilheiras que surgiram no Brasil nos anos 60 e 70 do século passado. Certamente é o primeiro trabalho de cunho acadêmico que trata de uma organização guerrilheira brasileira em particular. Nele Marcelo Botosso trata de um tempo em que a experiência democrática vicejava apenas como um sonho.

(Aurélio Fernandes )

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  • Postado em 20:51:05